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AUMENTA a procura por CURSOS TÉCNICOS

Empresas pagam para qualificar sua mão-de-obra e os cursos técnicos se tornam a principal porta de entrada para o mercado de trabalho.

AUMENTA a procura por CURSOS TÉCNICOS

Curso de Fluidos

    A cada ano aumenta em 40% a procura por cursos técnicos na região. Uma formação mais rápida que a universidade e a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho com salários acima da média. Uma realidade a cada dia mais presente na região Norte, Noroeste e Lagos, que recebe altos investimentos como o Porto do Açu, o estaleiro de Barra de Furado e a própria indústria petroquímica.

    Ao mesmo tempo em que os cursos técnicos se tornam a principal porta de entrada para o mercado de trabalho, uma nova faceta surge com os investimentos pesados na região: as empresas pagam cursos e formam parcerias para seus funcionários se qualificarem em áreas que exigem amplo conhecimento técnico.

    No processo seletivo de 2008, do Instituto Federal Fluminense, foram 20 mil candidatos inscritos. Para este ano, a expectativa é que esse número chegue a 30 mil. A título de exemplo da procura por cursos técnicos, o curso mais disputado da graduação é o de Engenharia com oito candidatos/vaga, enquanto que entre os cursos técnicos, o mais procurado, o curso de Automação, tem uma concorrência de 75 candidatos por vaga.

O professor Roberto Moraes destaca que essa crescente procura passa pelo despertar dos jovens que entenderam que não precisam abrir mão do sonho de ter um nível superior, mas que estão aceitando as oportunidades e encarando uma formação técnica concomitante ou após nível médio.

“O técnico hoje sai com uma noção de mundo mais abrangente. Sabe das limitações, mas sabe também dos seus direitos e das oportunidades que podem ser alcançadas de forma paulatina onde a formação corre junto da experiência em diferentes atividades, empresas e territórios dentro e fora do país”, garante.

Roberto aponta que é cada vez maior o número de técnicos brasileiros sendo contratados para trabalharem no exterior, desde os EUA e Canadá até a África e outros países do continente. E apesar da demanda por estes profissionais oscilar de acordo com as regiões e os projetos de novos empreendimentos, há técnicos ganhando salários até duas vezes maior que engenheiros e outros profissionais de nível superior.

    Na mão-dupla desse processo estão as empresas que não têm como ter profissionais sem uma formação em curso técnico e de boa qualidade frente o avanço da tecnologia em todos os processos de produção.

“Elas chegam até a literalmente comprar o passe do futuro técnico, quando este ainda é estudante, através do pagamento de bolsas que chegam a mil reais mensais”, diz Roberto.

Ele destaca que 75% da mão-de-obra, hoje, na Petrobrás, são ex-alunos do IF Fluminense. E não é só isso. Em forma de parcerias, as empresas se aliam em forma de consórcio para qualificar sua futura mão-de-obra.

    Recentemente o IF Fluminense foi procurado pela LLX para fazer a seleção e ministrar um curso para técnicos atuarem no Porto do Açu. O trabalho ainda está em fase de discussão, mas toma como exemplo experiências anteriores.

“As empresas passaram a reconhecer que algumas áreas muito específicas demandam uma especialização que é feita de forma conjunta com os professores do IF Fluminense e os profissionais que estão diretamente no processo de produção. Para isso, eles se dispõem a subvencionar estes cursos e em termos de quantidade estão demandando turmas, umas atrás da outra”, destaca.

A educação aliada ao mercado de trabalho já é uma parceria antiga do IF Fluminense. Em 2003 foi lançado o curso de Especialização em Fluidos de Perfuração e Completação de Poços de Petróleo, uma iniciativa da Petrobras e de empresas parcerias como Halliburton, Baker, Poland Química, New Park, BJ Services, Miswaco, Tetra e National Oil Well Varco.

Já foram formados cerca de 200 alunos e, segundo a coordenadora Mônica Manhães, 85% dos alunos são contratados pelas empresas ao final do curso. Na última turma formada em 01 de julho, dos 29 formandos 25 já estão inseridos no mercado. O curso prepara para atuação na perfuração de poços de petróleo e qualifica os profissionais para uma atuação mais segura e consciente no mercado petrolífero.

“A importância deste convênio está evidenciada pela empregabilidade que os formandos têm. Sinto que não só a Petrobras, como também as empresas parceiras têm confiança na qualidade da formação enquanto capacitação dos alunos nos aspectos tecnológico e pedagógico, além de buscarem por uma certificação de peso emitida por uma instituição séria, hoje IF Fluminense”, destaca Mônica.

    Já neste ano de 2009 foi lançado o curso de Operações com Equipamentos Submarinos. A formatura da primeira turma aconteceu no final de junho, em Macaé, e trata-se de uma iniciativa da Petrobrás em pareceria com o IF Fluminense, a Fundação CEFET Campos e as empresas FMC, Dril Quip do Brasil, Cameron do Brasil, Aker Solutions, Vetco Gray, Lupatech e Weatherford.

    “Foram seis meses de conversas até a efetivação do curso. É uma área muito específica e as empresas precisam qualificar seus funcionários. Ministrando o curso aqui reduzem custos e evitam treinamentos no exterior”, explica o coordenador do curso Lenilson Guimarães.

    Dos 33 alunos, cinco são funcionários da Petrobrás e 28 são ex-alunos dos cursos técnicos da Instituição. Destes, 25 já estão empregados através de processos seletivos realizados pelas empresas parceiras.

    Aos 19 anos, Matheus Santiago garantiu o primeiro emprego. Formou-se no curso de Automação, em Campos, e logo iniciou o de Operações Submarinas. O resultado foi um contrato com a empresa Weatherford. “O curso foi bem inovador e abriu portas, por isso, já esperávamos uma contratação. Vou trabalhar na área que me especializei e que poucas pessoas tem capacitação”, explica.

Já o colega de turma dele, Yuri Servedio, também formado no curso de Automação, está na expectativa. “Participei de um processo seletivo e estou aguardando. O curso de Operações com Equipamentos Submarinos ampliou meus conhecimentos e me tornou mais experiente e seguro para trabalhar na área”, afirma.

O curso tem a parte básica ministrada pelos professores do IF Fluminense e a parte técnica com instrutores da Petrobrás, além de visitas técnicas a laboratórios e oficinas das empresas parceiras.

“É bom para todo mundo. Para as empresas que qualificam a mão-de-obra local, para o Instituto que cumpre o seu papel de colaborador do desenvolvimento e para os alunos, já que é um mercado que prevê uma grande demanda de profissionais com esse diferencial”, afirma Lenilson.

A especialização permite que se atue na instalação, manutenção e intervenção de equipamentos submarinos, além da supervisão de operações com os mesmos, em terra ou em ambiente offshore.

A próxima turma, nos mesmos moldes, é a de Especialização em Completação, Flexitubo e Arame e Avaliação de Poços de Petróleo com 60 alunos para início agora em agosto.

“Esses cursos representam uma oportunidade de ampliar essa profissionalização para a comunidade e melhorar a mão-de-obra das empresas locais”, garante Rosângela Vasconcelos, Gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos da Petrobrás.

 

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